GAZETA FM ALTA FLORESTA

terça-feira, 27 de Outubro de 2020, 06h:47

"Em nenhum momento pensei em deixar de cantar com Zezé", diz Luciano Camargo após lançar projeto gospel

GZH MÚSICA

WILL ALEIXO / Divulgação

WILL ALEIXO / Divulgação

Com quase 30 anos de carreira ao lado do irmão Zezé Di Camargo, o cantor Luciano, 47 anos, agora se joga de cabeça em algo que ele afirma ser o maior projeto de sua trajetória: o louvor a Jesus. Segundo o artista, chegou o momento de dar vazão a este sonho antigo — mas sem deixar a dupla com o irmão, que o elevou ao patamar de um dos nomes mais importantes da música sertaneja nacional.  

A decisão de gravar o disco gospel surgiu de um desejo da mãe, Helena. A primeira das 15 canções do projeto foi lançada na sexta-feira (16) nas plataformas digitais. A data não foi escolhida por acaso: neste dia,  Luciano e Flávia Fonseca, 38 anos, celebraram 17 anos de casamento. Eles são pais das gêmeas Helena e Isabella, 10 anos (ele ainda é pai de Wesley, 31 anos, e Nathan, 26, de outros relacionamentos). 

A canção lançada, Tempo, é uma composição de três nomes conhecidos do meio gospel: Anderson Freire, André e Raquel Freire. 

Conforme Luciano, o título do projeto, A Ti Entrego, foi inspirado em dois versos bíblicos, presentes nos livros Atos dos Apóstolos, o quinto do Novo Testamento, e Epístola aos Filipenses, também do Novo Testamento. O trabalho traz regravações e canções inéditas. Uma das faixas, Te Necessito, de Jon Carlo, ganhou uma versão gravada em português e outra em espanhol. 

Nesta entrevista, Luciano fala sobre o início do projeto solo no mundo gospel, a influência da religiosidade em sua vida e da importância do irmão Zezé em sua carreira. Confira: 

Como surgiu a ideia de gravar um projeto gospel?
Essa ideia estava no forno. Conversei com meu produtor, em 2015, e essa vontade veio crescendo. Começou com uma conversa com a minha mãe lá na fazenda. Em 2000, quando eu e Fau (apelido de Flávia, esposa do cantor) estávamos noivos ainda,  minha mãe, dona Helena, pediu que eu cantasse um louvor. Minha irmã Marlene começou a cantar: "Foi na cruz, foi na cruz onde um dia eu vi meus pecados castigados em Jesus, foi ali, pela fé que meus olhos abriram, e agora me alegro em sua luz". Eu acompanhei. Ali, estava plantada a semente. Alguns anos depois, cantei um louvor com o Zezé (a canção Vai Dar Tudo Certo) e foi um sucesso grandioso.

Então, começou a pandemia...
Exato. Eu já tinha essa vontade. Mas, para mim, não era algo grandioso. Lancei, e a coisa foi tomando uma proporção gigantesca, que não foi direcionada por mim. A gente entende isso quando você coloca tudo na sua vida como um propósito de Deus. Em nenhum momento, durante a pandemia, eu pensei: "Preciso entregar esse projeto, preciso fazer algo grandioso". A princípio eu queria fazer uma regravação de vários louvores.

Como fica o seu trabalho na dupla no meio desse projeto?
Em nenhum momento, pensei em deixar de cantar com o Zezé, eu canto o amor há 30 anos, sempre cantei o amor com duas pessoas, reverenciando pai, mãe, o relacionamento entre duas pessoas. Agora, sigo cantando o amor, mas o amor ao Pai de todos.

Como começou a sua relação com a religião?
Sempre que me perguntam isso fico pensando e lembrando: fui para a igreja, pela primeira vez, há 17 anos. Naquele dia, cheguei lá com um só pensamento: agradecer. Se você olhar para a minha carreira, desde o começo, até hoje, só tive momentos de glória, só vitórias pessoais. Não busquei a religião do jeito que muitas pessoas buscam, na hora do desespero, o que é compreensível. Eu não estou cantando louvor porque a dupla parou de dar certo. 

No ano passado, fiz parte de um especial (a turnê Amigos ao lado de Leonardo e Chitãozinho & Xororó) que percorreu o país e que tinha shows agendados até 2022. Fico muito tranquilo quando me perguntam isso. Gravei esse projeto no momento de maior alegria da minha vida, que estou casado com a minha mulher, que é o amor da minha vida, com muito respeito, alegria, amor. Nunca tivemos uma discussão, vivemos em plena lua de mel. Estou muito tranquilo, busquei fazer esse projeto com uma paz muito grande. É o meu propósito, colocado por Deus, lá atrás.

Qual foi a reação do Zezé quando você revelou que gravaria esse projeto solo?
Esses dias, eu estava conversando com o Zezé. Você sabe como é irmão, né? Lá pela 1h da manhã, estávamos no estúdio ainda e seguia o papo. Zezé sempre foi o meu maior incentivador. No nosso primeiro disco (quando Luciano ainda não cantava como primeira voz, como faz atualmente), ele disse: "Você vai solar essa música aqui". E eu não gostaria de solar nada sem que o Zezé estivesse por perto. Então, passou um tempo, e ele disse: "Agora, não vou ficar mais perto de você, não". Hoje, ele grava em um estúdio, em Goiânia, e eu em outro, em São Paulo. As coisas mudaram muito, a tecnologia ajuda demais. Mas, respondendo a sua pergunta: nesse dia, Zezé me disse: "Irmão, você demorou para fazer um projeto assim. Você canta muito, eu gosto de ver o que está acontecendo, graças a Deus, tenho consciência do seu crescimento". Fico feliz, pois esse processo de crescimento é natural na vida do ser humano, nem todo mundo tem a chance de ter um crescimento profissional, Zezé sempre me colocou ao lado dele, na mesma altura dele.

O seu crescimento, enquanto artista, é nítido: passou a cantar mais músicas na dupla.
Essa percepção é sua, fico muito agradecido, gosto de me ver através dos olhos dos outros.

Passada a pandemia, você se imagina levando esse show gospel para a estrada e para grandes multidões?
Sabe que não imagino isso? Olha só o que eu quero: fazer um show pela dupla, em Porto Alegre, e ter a chance de ir em uma igreja e apresentar um, dois, três louvores. Não me imagino fazendo grandes shows. Se vier o convite, faço, claro. Mas não tenho essa pretensão. 

Atualmente, a religião é alvo de muitos embates nas redes sociais. Como você enxerga essa situação?
Sabe que eu não sou muito de ficar olhando as redes sociais? Acho que as pessoas estão apegadas a coisas supérfluas. Acredito que as redes sociais não estão sendo usadas para um bem maior. Mas, ao mesmo tempo, existe um movimento muito verdadeiro quando se fala da religião. Estou falando de um mundo que eu vejo, na igreja que frequento.

 

Fonte: GAZETA FM ALTA FLORESTA

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